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Instauração

15/09/2017

Mostra de performances no Sesc Belenzinho apresenta a diversidade desta linguagem e reflexões sobre o contexto atual

 Com curadoria de Ananda Carvalho, a mostra Instauração apresenta um panorama diverso da performance: ações artísticas que utilizam o(s) corpo(s) como ferramenta, relacionando-o(s) aos modos de vivenciar o espaço e às possibilidades de trocas com o público. Considerando que a performance não possui definições fechadas e é uma manifestação artística complexa, o Sesc Belenzinho promove apresentações gratuitas com o intuito de aproximar o público desta linguagem e também provocar reflexões sobre questões sociais e políticas atuais.

O título do projeto Instauração faz referência ao artista Tunga (que utilizou o termo para pensar o seu próprio trabalho com o desejo de somar o que a “performance” e a “instalação” não davam mais conta em suas compreensões isoladas). Essa referência é ativada justamente para evidenciar a amplitude do campo da performance nas Artes Visuais e também tem o desejo de pensar as possibilidades de desconstrução do que já foi institucionalizado ou consolidado como performance na História da Arte. Por esse viés, considera também o próprio significado de “instauração” encontrado no dicionário que consiste em “processo ou resultado de criar algo”, procurando fomentar o acesso a performance como manifestação artística para todos os públicos. E, em tempos tão complexos, o projeto Instauração  procura relembrar que os nossos corpos são a última instância de resistência e liberdade, apresentando ações que acontecem nos espaços de fluxo e de convivência do Sesc.

 

Programação novembro

Alguém Está Vociferando Desde Ontem com Tom, Pombo e Pontogor
11 de novembro, 13h às 16h

Performance que manipula gravadores para produzir sons. Sons do passado e do presente, gravações das próprias vozes e de vozes de outrem. A ideia é trabalhar tanto com vozes alheias (como aulas de línguas, discursos políticos, canções de ópera, exercício de hipnose) quanto com a própria voz, que irrompem em fluxos de textos não planejados, diálogos, palavras soltas e sons não verbais.

Tom é artista e seu trabalho se desenrola na zona fronteiriça entre diferentes linguagens artísticas. Borrando a fronteira entre performance, vídeo, som e literatura, investiga as zonas de atrito entre corpo e linguagem, biologia e cultura, voz e identidade. Tem certa obsessão por situações que provocam aporias linguística, como o ventriloquismo, a parapsicologia e a possessão.

 

Negativo com Dora Smék e Paul Setúbal
15 de novembro, 10h às 20h

Nesta ação inédita, os artistas reproduzem uma espécie de ateliê em que realizam procedimentos escultóricos de modelagem anatômica dos seus próprios corpos. Ao longo do dia, a ação gera uma série de negativos do volume do corpo, que serão instalados no espaço do Sesc. A moldeira, ou forma, é o negativo do volume do corpo, ou seja, a marca de sua ausência.

Dora Smék é Mestranda em Artes Visuais pela Unicamp e graduada Artes do Corpo pela PUC- São Paulo. Sua produção atual se expande para performances, instalações, objetos, vídeos, áudios e fotografias, sempre abordando questões referentes aos moldes do corpo. Em 2017 apresentou Transbordação na Galeria Vermelho em São Paulo, em 2016 no Sesc Bom Retiro e em 2015 no Sesc Campinas–SP. Participou de exposições em São Paulo-SP, Florianópolis-SC e Brasília-DF ao longo do ano de 2017. Atuou no Teat(r)o Oficina (2011-2012) e no Batucada (Demolition Inc.), em São Paulo-SP, Teresina-PI, Bruxelas e Frankfurt (2014-2015).

Paul Setúbal é Licenciado em Artes Visuais, mestre e doutorando em Arte e Cultura Visual pela UFG, atua no campo das culturas das imagens e processos de mediação. É integrante do Grupo EmpreZa. Sua pesquisa se desenvolve por meio de múltiplas linguagens, como pintura, desenho, objeto, vídeo, fotografia, instalações e performances. Sua produção tem como eixo as problemáticas do corpo na sociedade contemporânea, seu uso, controle, relações de abuso e poder. Seu próprio corpo é explorado como suporte geográfico e território de conflitos. Utiliza-se de materiais diversos para a produção das obras como seu sangue, lona crua, fogo e ferro.

 

Passado a Limpo com Grasiele Sousa – A.K.A. Grasiele Cabelódroma
25 de novembro, 14 às 16h

Nesta performance inédita, o público será convidado à colaborar na criação de um “inventário” de ocupações realizadas por mulheres de seu convívio. Seguindo a lógica da construção de um banco de dados (nome, idade, atividade), a artista e participantes irão registrar as informações sobre uma extensa peça de tecido, utilizando um lápis/giz de costura cuja principal característica é poder ser apagado tão logo se passe o ferro sobre ele.

Grasiele Cabelódroma é dançarina e performer. Mestra em psicologia clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade Contemporânea da PUC/SP e graduada em educação artística pelo Instituto de Artes da Unesp (2003). Pesquisa ações corporais, em particular para o cabelo, autobiografia e reperformance. É membro fundadora da extinta associação Brasil Performance BrP desde (2010-2015). Desenvolve os projetos Cabelódromo e Cia. Subdesenvolvida de Dança. Já apresentou suas performances no Brasil e no exterior.

+ Bate-papo com os artistas Tom, Dora Smék, Paul Setúbal, Grasiele Cabelódroma. Mediação: Ananda Carvalho
25 de novembro, 17h às 19h

 

Programação outubro

 

Projeto Invisível por Renan Marcondes
21 de outubro, 11h às 17h, na área de convivência.

Esta ação engloba duas performers silenciosas – Tetembua Dandara e Carolina Callegaro – que trajam estranhos óculos de madeira com objetos no lugar das lentes. Caso alguém do público tente conversar com alguma das performers, apenas receberá um pequeno papel com um conteúdo secreto. A performance reflete sobre a função dos objetos nas relações de visibilidade e afeto humanas. Esse trabalho pensa o óculos como aparato de segurança em relação ao olhar do outro ao mesmo tempo em que é elemento de destaque e interesse, repelindo e atraindo os corpos.

Renan Marcondes é artista visual, performer e pesquisador, representado pela Adelina Galeria (SP/Brasil), Doutorando em Artes Cênicas pela ECA-USP, Mestre em Poéticas Visuais pela UNICAMP. Seu trabalho alia procedimentos de repetição coreográfica, literatura e objetos escultóricos que alteram a movimentação do corpo, impedem gestos e representam condições bizarras e patéticas da existência do homem, criando futuros hipotéticos nos quais o ser humano não mais se compreende como centro do mundo.

 

Incubadora com Leandra Espírito Santo
21 e 22 de outubro, 17h às 19h, na área de convivência.

Nesta performance/instalação, a artista cria o ambiente de uma fábrica de objetos inúteis e inusitados: balões de látex preenchidos com bolinhas de isopor. Durante a performance, a artista realiza as tarefas de acionar repetidamente essas máquinas, num esquema de produção que nos remete à produção fordista dos tempos modernos. Ao fazer o corpo se movimentar, essas máquinas recuperam uma relação analógica e orgânica com a produção e seus meios. A performance reflete sobre os modos de trabalho – considerando a relação entre a arte, o artesanal, o científico e o industrial – e seus impactos no corpo e no comportamento humano.

 Leandra Espírito Santo é artista visual, doutoranda e mestre em Artes Visuais pela ECA-USP. Seu trabalho transcorre por diversas mídias como performance, instalação, fotografia, vídeo, escultura/objeto, intervenção urbana. Através de uma linguagem lúdica e irônica, a artista se propõe a trazer reflexões sobre nossos procedimentos, dos mais cotidianos e comuns aos mais complexos. 

+ Bate-papo com a curadora Ananda Carvalho e os artistas Leandra Espírito Santo e Renan Marcondes
11 de novembro, 11h às 13h

 

Programação setembro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bagagem, Não à Guerra do Congo e A Natureza com Shambuyi Wetu e convidados
02 de setembro, 17 às 19h

Para apresentar as 3 ações, Shambuyi desenvolveu vestimentas que procuram ativar reflexões sobre as migrações, as situações dos refugiados, as guerras no Congo e a relação entre natureza e cultura. Como “criaturas”, o performer e 2 artistas convidados caminharam pelo Sesc conversando com o público que os seguia em busca de fotos e conversas.

Shambuyi Wetu é artista congolês, vive em São Paulo desde 2014. É refugiado. Estudou artes na Academia de Beaux-Arts, em Kinshasa (Congo), onde fazia pinturas e esculturas. Desde que chegou ao Brasil, trabalhou na construção civil, mas a necessidade de se expressar por meio de sua arte continua e vem realizando performances em alguns eventos na cidade de São Paulo.

 

O que você tem a dizer?  com Carla Borba
16 de setembro, 19h às 21h, na área de convivência

A ação proposta por Carla Borba foi elaborada com o objetivo de suscitar uma reflexão a respeito dos abusos sofridos por mulheres na fase da infância e\ou adolescência. Enquanto a artista escreve com pirógrafo sobre papel japonês, ela faz a leitura em voz alta de diversos relatos de assédio que tomaram conta das redes sociais, principalmente em 2015, devido a campanha “Primeiro Assédio”. Durante toda a ação a expressão “O que você tem a dizer?” é repetida. Segundo a artista, “a escrita com fogo remete à ideia de que os relatos tanto queimam e ardem a memória da vítima quanto de quem participa da performance”.

Carla Borba é artista visual, doutoranda pelo PPGAV/UFRGS, bolsista CAPES; Mestre em Poéticas Visuais (2012) e bacharel em Artes Plásticas (2003) na mesma instituição. Sua pesquisa envolve as relaçõess entre performance, imagem, processos colaborativos e questões de gênero.

 

Vestindo Hiatos com Alexandre D’Angeli
30 de setembro e 01 de outubro, 13h às 19h, na área de convivência

Alexandre D’Angeli apresenta uma performance de longa duração inédita. De acordo com o artista, “Vestindo Hiatos propõe pensar acerca dos fenômenos de vacância e especulação imobiliária, e sua relação com os processos de ocupação organizada e de gentrificação”. A partir de uma pesquisa de 5 meses em diversas ocupações da Frente Livre por Moradia (FLM), o artista propõe uma ação em que doze camisas brancas previamente bordadas com pontos soltos podem ter suas tramas desfeitas pela audiência ao longo da ação. Vestidas uma a uma ao longo de cada hora, as peças bordadas apresentam plantas arquitetônicas de edificações ocupadas ou que estão em perímetro de especulação imobiliária.

Alexandre D’Angeli  é performer e ator com graduação em Artes Cênicas. Especializou-se em Mímica Corporal Dramática e Acrobacia Teatral pela École International de Mime Corporel Gestuel Dramatique de Paris. Interessa-se especialmente pelas linguagens mais diretamente relacionadas ao corpo, e que operam no cruzamento entre a performance e o teatro.

+ Bate-papo com a curadora Ananda Carvalho e os artistas Shambuyi Wetu, Carla Borba e Alexandre D’Angeli:
07 de outubro, 11h.

O projeto continua em outubro e novembro em diversas datas e horários. Para saber mais, acompanhe a programação no site http://www.sescsp.org.br.

 

Serviço:

 

Local: Sesc Belenzinho

Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho

Todas as atividades são gratuitas.

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