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Tempestade

05/12/2016

Projeto contemplado pelo edital PROAC Artes Integradas 2015
Exibido na Casa Das Caldeiras (São Paulo) e Oficina Cultural Pagu (Santos)
Veja mais fotos e vídeos no Facebook do projeto

Tempestade na Casa das Caldeiras. foto: Fabricio Remiglio

Tempestade na Casa das Caldeiras. foto: Fabricio Remiglio

A Tempestade começou relembrando as pinturas de William Turner e os textos de Shakespeare. Porém, aos poucos, foi se elaborando que o fio condutor deste projeto consiste nas conexões das práticas processuais dos cinco artistas participantes: DUO b (Marcelo Bressanin e Pedro Ricco), JpAccacio, Matheus Leston e Victor Leguy.

Em meio à imprevisibilidade de nuvens de condensação de ideias, durante 10 meses, acompanhei os encontros de colaboração/residência artística desses artistas na DA HAUS. Ali, conviveram diálogos intensos, experiências atravessaram conceitos, e paulatinamente, foi-se dando forma ao que poderíamos chamar de “instalação final”, assim entre aspas, considerando o movimento contínuo do processo de criação.

Durante as experimentações – projeções de imagens, reflexões em espelhos e placas de acrílico, composições de áudios, movimentos da luz e seus desenhos –, emergiram as diferentes visões de cada artista e suas possibilidades de interação. Ao documentar essas ações, havia algumas imagens que só eram visualizadas pelo aparato-olho-fotográfico. Ou ainda, o que um percebia, não necessariamente era o que o outro observava ou escutava. Entre as diferentes percepções do trabalho, foram elaborados diversos questionamentos sobre como se constituíam as imagens e os sons perante a Tempestade.

Começou-se, então, a projetar as próprias imagens de registro, considerando o viés processual que se espalhava perante esta vivência. Essas imagens foram captadas novamente em alta resolução e, posteriormente, foram relidas e programadas via software. Outros desenhos-registros foram realizados. Trilhas sonoras foram compostas, seguindo a mesma metodologia de composição e decomposição.

Por fim, as paisagens audiovisuais ocupam o espaço expositivo, preenchendo-o com sobreposições de uma narrativa orgânica. Entre as imagens figurativas da documentAÇÃO, grafismos e imagens abstratas, é possível entrever que tudo está em deslocamento. Pode-se afirmar que os momentos de percepção da experiência são efêmeros: quando alguém chama para olhar, aquilo já não está mais no mesmo lugar.

Nesta tempestade processual em constante colaboração e atualização, cada pessoa do público é convidada a escolher o ponto de vista (ou o farol) de sua própria tempestade. Entre as diversas elaborações de discursos que transpassam a vida contemporânea, não ouvimos aqui uma voz específica (e muito menos autoritária do autor e/ou de autores). Emerge uma comunicação que não sabemos ao certo como objetivar, mas que aglutina e expressa a potência do processo de criação.

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