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Giovani Caramello: Meditação sobre a impermanência

05/04/2016

Sobre as esculturas introspectivas de Giovani Caramello em exposição na OMA Galeria

O verbo meditar no dicionário Houaiss significa estudar e refletir sobre o “pensamento, o aspecto, o conteúdo de algo (…), amadurecendo-o longamente”. O processo de criação de Giovani Caramello engloba essa compreensão. Em tempos em que a subjetividade e a alteridade emanam diversas reflexões, o artista seleciona discussões sobre um estado emocional para cada escultura produzida. Se as formas clássicas dessa linguagem propõem a monumentalização de um fragmento de tempo a ser congelado, os personagens de Giovani incitam uma percepção do tempo em movimento: a impermanência de um contínuo vivenciar.

GIOVANI-CARAMELLO

 

Nesta exposição, o artista apresenta uma narrativa que pode ser lida à imagem da fita de Moebius, infinita e, de certa forma, indeterminada. Segunda chance é um busto em tamanho natural de um homem já vivido que apresenta uma marca de um corte de cirurgia no coração. Essa obra é também um resumo da história que atravessa os outros trabalhos expostos. Apego, Meditando sobre impermanência, Desdobramento e Ascenção são personagens-esculturas que buscam materializações emotivas para seus próprios títulos.

As esculturas-indivíduos de Giovani, inicialmente, formalizam uma figura específica. Entretanto, elas poderiam ser qualquer outro rosto. Em seus estudos de composição, o artista pesquisa sobre os aspectos corporais – sejam de pessoas reais, imaginárias ou representadas na história da arte – e suas possíveis relações anatômicas. Seus trabalhos reapresentam o que pertence a natureza humana, na medida em que o artista coloca-se como um reconstrutor de gestos-reações, esculpindo algo que todos reconhecem: as emoções.

As esculturas desta exposição estão nuas de vestimentas e adereços, enfatizando possíveis experiências e sentimentos que estão marcados em seus rostos ou em seus corpos. E, assim, Giovani convida o público para estar em comunhão com o tempo, para tecer histórias sobre tais personagens, ativando a memória e a vivência de cada um, independente de aspectos religiosos e teorias de autoconhecimento específicos.

 

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