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Arte performativa: corpo e espaço

26/01/2015

Ou sobre as possibilidades das ações materializarem coisas que aparentemente estão invisíveis…

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Na exposição Arte performativa: corpo e espaço, três jovens artistas apresentam práticas ampliadas do que ficou conhecido na história da arte como performance. A ideia de performativo pode ser compreendida como um ato que se desdobra em campos de “movência”: o corpo é utilizado como ferramenta para ativar espaço, objetos, e, principalmente, o espectador, por meio de diferentes perspectivas.

Mariana Vilela propõe Um convite a …, ação na qual despe-se em palavras escritas em pemba. A artista procura desconstruir a noção cartesiana de pensamento: o significado emerge do ato como um todo e não por frases específicas. Aos poucos, seu gesto abandona as regras que estruturam a língua para se tornar desenhos que vestem as paredes da galeria.

Elen Gruber convida a todos para participar de sua Sala de exercícios. A artista propõe uma série de atividades individuais e em dupla que derivam do padrão de forma, força e resistência de seu próprio corpo ou da sua relação com outro corpo. Por esta perspectiva, a expressão física materializa as contradições entre objetivos individuais e coletivos, assim como as possibilidades (ou as tentativas) de estabelecimento de relações pessoais e sociais.

Renan Marcondes apresenta Como um jabuti matou uma onça e fez uma gaita de um de seus ossos, trabalho em que movimentos mínimos são coreografados para a construção de uma instalação. O “jabuti” (ou a cor laranja) torna-se, aqui, metáfora de um ambiente em que elementos heterogêneos se misturam. A ação da cor laranja (ou do jabuti) reorganiza o caráter funcional desses elementos: oferece humanidade aos objetos e/ou reforça a objetificação do corpo no ato da performance.

Em Arte performativa: corpo e espaço, o ato torna-se coisa, algo que não tem uma finalidade única e fechada. As ações efêmeras desdobram-se em instalações que materializam posturas críticas, sensações e percepções do mundo. Os trabalhos agora expostos aguardam o fluxo das experiências do público… para além do que aparentemente está invisível.

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