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Daniel Melim: Quintal de Fábrica [Factory Yard]

13/11/2014

[read the english version below]

Exposição individual de Daniel Melim na Oma Galeria, São Bernardo do Campo – SP

daniel-melim

O quintal é o espaço cotidiano do desejo: do lazer, do encontro, das discussões políticas. Mas, também é no quintal que esses desejos começam a ser materializados: onde as ações são planejadas, onde são impressos panfletos e jornais independentes, onde as bandas ensaiam… A fábrica expressa o trabalho diário, as engrenagens sociais e políticas. Entre o desejo e o direito, o sonhado e o vivido, o trabalho de Daniel Melim deve ser lido pela soma de diversas camadas.

[camada 1: gesto] Melim ocupa a OMA Galeria com pinceladas do graffiti: incorpora elementos formais do estêncil em diferentes materialidades. Os trabalhos do artista são produzidos num tempo expandido no qual o processo envolve a escolha dos materiais e a forma de pintar. Seu gesto evidencia o entrelaçamento dos anseios com a experiência do cotidiano.

[camada 2: sobreposição] Layers e mais layers: a produção de Melim ocorre por camadas, independentemente da materialidade. São texturas que enfatizam um movimento de “ver e ver através” e/ou a vontade de “ver com a mão”. Essas sensações podem ser experimentadas com o Black Book, que materializa uma narrativa sobre os processos da criação do estêncil. Há ainda a assemblage Ex-stencil que transforma os moldes recobertos por tinta em um novo trabalho.

[camada 3: composição] Esta mostra de Melim em São Bernardo do Campo – passaram mais de dez anos desde a última exposição individual do artista na cidade – é marcada pela ativação de elementos que contam a história da região. As pinturas Quintal de Fábrica e O Povo, o Fascista e o Burro são compostas por uma presença sociopolítica baseada nas relações de trabalho. Essa presença, entretanto, localiza-se entre a denúncia e a ironia ao manter os elementos cotidianos representados em suas cores vibrantes.

Destes trabalhos compostos por sobreposições de tantas camadas, só nos resta o convite para vivenciá-los também em um tempo expandido: dar-se um tempo para conhecer os detalhes, achar as pistas do que está sempre lá, mas nem sempre percebemos por já estar intrínseco à vida cotidiana; e, quem sabe, continuar a discussão no quintal.

Ananda Carvalho

Solo show by Daniel Melim at Oma Galeria, São Bernardo do Campo – SP

Quintal de Fábrica (Factory Yard)

The yard is the everyday place of desire: of leisure, gathering, political discussions. It is in the yard that these desires begin to materialize as well: where actions are planned, where pamphlets and independent newspapers are printed, where bands rehearse… The factory expresses the daily grind, the social and political cogs. Between desire and right, what is dreamed and what is lived, Daniel Melim’s work must be interpreted through the sum of its many layers.

[layer 1: gesture] Melim occupies OMA Galeria with brush strokes of the graffiti: he incorporates formal elements of the stencil in different materialities. His works are produced in an extended time span, in which the process involves the choice of materials and the form of painting. His gesture reveals the intertwining of expectations with the experience of everyday life.

[layer 2: overlaying] Layers and more layers: Melim’s works are produced in layers, regardless of its materiality. The textures give emphasis to a movement of “seeing and seeing through” and/or the desire to “see with the hands”. These feelings may be experienced with Black Book, which materializes a narrative on the creation processes of the stencil. There is also the Ex-stencil assemblage, which transforms the patterns covered in paint into a whole new work.

[layer 3: composition] Melim’s exhibition in São Bernardo do Campo—over ten years passed since his last individual show in the city—is characterized by the activation of elements that tell the history of the region. The paintings Quintal de Fábrica (Factory Yard) and O Povo, o Fascista e o Burro (The People, The Fascist, and The Donkey) are composed of a socio political presence based on the relations of labor. This presence, however, is situated between denouncement and irony by retaining the everyday elements represented in vibrant colors.

From these works composed of many overlapping layers, we are left with the invitation to also experience them in an extended time span: give ourselves some time and get to know the details, find the clues of what was always present but goes unnoticed because it is an intrinsic part of our lives; and, perhaps, continue the discussion back in the yard.

Ananda Carvalho

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