Pular para o conteúdo

What you see is what you guess

29/02/2012

Texto crítico da obra WYSIWYG [what you see is what you guess] de Lucas Bambozzi, em cartaz na Mostra LABMIS 2011

El real es la muerte. Y punto.
La realidade son distintas construcciones.”
Rosa María Ravera

Lucas Bambozzi

Still do vídeo WYSIWYG - what you see is what you guess de Lucas Bambozzi

O vídeo WYSIWYG [what you see is what you guess]* é resultado da residência de Lucas Bambozzi, em 2011, na Impakt Foundation, em Utrecht, Holanda. A Fundação produz um festival, cujo tema daquele ano foi The Right to Know (O Direito de Saber). O olho videográfico do artista registra os dias vivenciados na cidade. Esses diversos modos de ver estão em imagens texturizadas, poucos planos gerais, muitos planos fechados de paisagens, reflexos na água, espelhos e sombras. Pode-se pensar que, de certa forma, este trabalho parafraseia o tema do festival para o direito de ver.

Entre as paisagens aparentemente comuns da Holanda, algumas não se formam por completo. Um ruído sutil é construído na identidade visual do projeto através de quadrados cinzentos que cobrem pequenos pedaços das imagens. Esse ruído remete ao título WYSIWYG [what you see is what you guess] – o que você vê é o que você supõe.

Esta descrição da sigla é um trocadilho para a descrição What You See Is What You Get – o que você vê é o que você obtém. A expressão é utilizada para descrever aplicativos de edição visual dos programas, principalmente HTML. Significa que o software permite editar visualizando o efeito final, sem precisar acessar o código. No caso do vídeo produzido por Bambozzi, a sigla questiona a produção de imagens. Evidencia a edição e também que o espectador já não vê a paisagem como ela era antes de ser captada pela câmera.

O vídeo discute a possibilidade da imagem videográfica abarcar a experiência de conhecer um local. Como representar esse espaço ou essa paisagem? O quadrado cinza também é aquilo que não foi revelado. São os elementos contextuais que pertencem a cada cidade, mas que são invisíveis ao turista ou para alguém que acabou de chegar. São informações que estão lá, mas ainda não foram ditas ou estão contidas em uma zona desconhecida.

A percepção da cidade vai acontecendo aos poucos, por partes. Bambozzi demonstra o desejo de conhecer Utrecht, mas, ao mesmo tempo, reconhece essa impossibilidade. Também cogita que as paisagens captadas poderiam ser de um outro lugar. Esse tema é evidenciado através de interferências gráficas produzidas com a palavra “bem-vindo” escrita em diversas línguas em uma fachada.

Entre o conteúdo imaginário e o escondido na Internet, as belas imagens de WYSIWYG [what you see is what you guess] evidenciam a reapropriação do significado de vivências pessoais. A coleção de memórias do artista questiona a relação entre o sujeito e sua respectiva produção de imagens. Lucas Bambozzi utiliza os mecanismos de captação e edição para demonstrar a subjetividade do seu olhar. Sua câmera recorta as imagens banais das paisagens cotidianas através de planos não comuns aos nossos olhos. Por fim, esses retratos audiovisuais são ampliados pela trilha sonora: a poesia do audiovisual em movimento.

_______________
* À época da concepção, a obra se chamava What To Know
‘  Tradução: O real é a morte. E ponto. A realidade são construções distintas.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: