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Documentário-Ensaio: registros sobre arte

18/05/2011

Apresentação no I Encontro Estadual da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual

O documentário pode tratar dos mais diversos temas e apresentar diferentes aspectos formais. A minha dissertação de mestrado (Documentário-ensaio: a produção de um discurso audiovisual em documentários brasileiros contemporâneos – defendida em 2008 na PUC-SP) procura expandir a definição de documentário para adequá-la a filmes/vídeos que constroem um discurso subjetivo e reflexivo sobre o mundo. A pesquisa chama estas obras de documentário-ensaio incorporando o conceito proposto por Arlindo Machado (2003) de filme ensaio, que abrange as produções que ultrapassam os limites do documentário e não se prendem à dicotomia entre ficção e não-ficção ou à preocupação com uma verdade como espelho do real. Sobre o ensaio, adota o conceito de Theodor Adorno (1986), que se refere à construção de um discurso experimental e não totalitário. Para pensar o documentário como um discurso audiovisual, retoma Jean-Claude Bernadet (2003), que constata essa característica nas produções documentais brasileiras contemporâneas.

O presente artigo pretende aplicar o conceito de documentário-ensaio em documentários sobre arte. Para tanto, observa as obras premiadas no Prêmio Registro, promovido em 2010 pelo Canal Contemporâneo. A iniciativa premiou documentários e ensaios que tenham a arte contemporânea brasileira e seu circuito como objeto. A comissão de seleção foi composta por Consuelo Lins, Cristiana Tejo e Lucas Bambozzi.

Apesar do prêmio chamar-se Registro, não é no sentido tradicional/clássico dessa produção que se encontram os trabalhos premiados: Blindagem (Andre Costa); Degrau (Coletivo GIA); Parangolé (Lourival Cuquinha). Essas obras apresentam um desvio da ênfase que o documentário estabelece com a representação realista do mundo histórico. Criam licenças poéticas, estruturas narrativas menos convencionais e formas de representação mais subjetivas. Aproximam-se de um caráter performático, conforme proposto por Bill Nichols (2005) em sua classificação. Ou seja, discutem o mundo do sensível, em que o cineasta nos envolve em sua representação do mundo histórico, mas de maneira indireta, por intermédio da carga afetiva aplicada ao filme e que o cineasta procura tornar nossas (Nichols, 2005, p. 170-171).

Pode-se utilizar o conceito de documentário-ensaio para compreender essas obras na medida em explicitam as seguintes características: a subjetividade do enfoque, a metalinguagem, a experimentação, o processo de criação, a imersão do realizador, o discurso reflexivo da voz over, a montagem, o hibridismo dos gêneros, etc. Os vídeos citados concatenam características que são recorrentes em obras audiovisuais de diferentes origens: do documentário, da videoarte, do cinema e das artes visuais em geral. Englobam definições abstratas que podem tomar forma nos mais diversos desdobramentos.

Clique para baixar o ppt da apresentação Documentário-Ensaio: registros sobre arte

Bibliografia:

ADORNO, Theodor W. O Ensaio como forma. In: COHN, Gabriel. Theodor W. Adorno – Sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1986.

BERNADET, Jean-Claude. Cineastas e Imagem do Povo. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2003.

LINS, Consuelo e MESQUITA, Cláudia. Filmar o real: sobre o documentário brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.

MACHADO, Arlindo. O Filme Ensaio. In: Concinnitas. Rio de Janeiro, ano 4, no. 5., dezembro, 2003.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas, SP: Papirus Editora, 2005.

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