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Entrevista para o Conexões Tecnológicas

30/08/2010

Entrevista concedida ao blog do Conexões Tecnológicas, evento realizado pelo Instituto Sergio Motta.

Nossa entrevistada da semana é a professora, pesquisadora, curadora e crítica de arte Ananda Carvalho. Ela é doutoranda e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especialista em Criação de Imagem e Som pelo SENAC-SP. Pesquisadora do grupo Arte & Meios Tecnológicos (CNPq / FASM), foi curadora da exposição [das imagens às coisas] (2009) e assistente de curadoria do projeto Galeria Expandida (2009). Escreveu textos críticos para o Canal Contemporâneo e para exposições realizadas no SESC-SP. É editora dos sites do Museu da Imagem e do Som e do Paço das Artes.

Você é crítica de arte e curadora de projetos que enfocam a arte contemporânea e as suas relações com o espaço online. Conte um pouco sobre o projeto Galeria Expandida, realizado em abril na Luciana Brito Galeria, no qual você foi assistente de curadoria:

O projeto Galeria Expandida foi concebido por Christine Mello. Eu e a Paula Garcia dividimos a assistência de curadoria. O desafio proposto foi discutir o espaço da galeria e as possibilidades de exibição da arte contemporânea, caracterizada pela efemeridade e a transitoriedade. Considero que um dos aspectos mais importantes da exposição foi o resgate de obras sem restringi-las aos objetos no espaço expositivo, enfocando o registro e o processo. Por exemplo, o depoimento de Lucas Bambozzi sobre o Circuito Kinotrem, de Regina Silveira sobre o Pudim Arte Brasileira e de Gilbertto Prado sobre o Connect descrevem obras pouco conhecidas e assinalam uma outra forma de produção da história da arte. Essa prática, que raramente acontece em galerias comerciais, coloca em discussão o espaço da rede como um continuum do espaço expositivo e também como possibilidade de construção de memória. Foram realizados debates e depoimentos com os artistas do eixo histórico, que incluiu também Analivia Cordeiro, Fabiana de Barros e Ricardo Basbaum. Os registros em vídeo e relatos estão disponíveis no Fórum Permanente. Inclusive, essa minha resposta é uma forma de continuar a discussão na rede, já que alguém pode descobrir o projeto e conferir esses conteúdos. O catálogo também está disponível na rede. Nele estão trabalhos dos artistas do eixo novas vertentes (Ana Paula Lobo, Bruno Faria, Claudio Bueno, Denise Agassi, Esqueleto Coletivo e Paula Garcia), que criaram diálogos entre arte e mídia especialmente para o projeto.

Você é professora de Vídeo Digital no curso de Produção Audiovisual da FMU. Que tipos de questões têm sido trabalhadas por seus alunos? Quais ferramentas/tecnologias estão sendo utilizadas ou desenvolvidas?

Uma das principais questões que trabalho com os alunos é a “estética da baixa resolução”. Incentivo a experimentação e a produção constante. Defendo o audiovisual como forma de escrita que deve ser realizada a partir dos acontecimentos e dos meios disponíveis em nosso cotidiano. Tenho alunos produzindo com câmeras de celulares e pensando possibilidades de exibição nos próprios celulares e também na internet. Outra questão trabalhada é o remix, em que os alunos utilizam a grande quantidade de arquivos disponíveis na rede para criarem seus próprios discursos. Tenho ainda um grupo pesquisando o conceito de Realidade Aumentada. Espero que eles possam se inscrever para o próximo Conexões.

Entre os trabalhos inscritos no Festival Conexões Tecnológicas 2010, você destacaria algum? Por quê?

Um dos projetos a destacar é o da Lorena Melgaço Silva Marques, Museu do Hoje: Fundação para os movimentos. Acho que uma das questões mais importantes a ser considerada no projeto é a construção de memória. Lorena levanta esse tema a partir de duas características primordiais do conceito de rede: colaboração e produção coletiva do conhecimento. 

O trabalho Cromocinética do Coletivo Organograma também se destaca. Acho muito bacana o fato deles já estarem se apresentando no circuito das artes e ainda serem graduandos. Acho interessante a proposta das imagens cotidianas da cidade serem relidas através do áudio e seu consequente reprocessamento através do Pure Data.

Qual projeto ou artista você indicaria como referência para o trabalho que você escolheu para comentar?

Quando eu assisti o vídeo do espetáculo Cromocinética, lembrei-me muito do clássico O Homem com uma Câmera (Dziga Vertov, 1929). Esse filme mostra uma série de experimentações audiovisuais que só foram consolidadas com o advento da videoarte. Evidencia uma diversidade de técnicas de filmagem e montagem, assim como descreveu Lev Manovich sobre a estética dos bancos de dados. Cromocinética segue o mesmo caminho ao refletir sobre as possibilidades audiovisuais atuais.

Para o projeto Museu do Hoje, a referência é a própria história da web. Atualmente estamos acompanhando grandes discussões sobre a ideia de museu online e a organização e disponibilização de arquivos e acervos. Uma parte dessas discussões podem ser encontradas no culturadigital.br. Mas acho que, além dos debates, precisamos colocar as propostas em prática. Espero que a Lorena realize a dela.

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